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279. SIGNIFICADO E IMPORTÂNCIA ACTUAIS do NÚMERO 350

O dia 24 de Outubro (amanhã, sábado) foi escolhido como um Dia Internacional de ACÇÃO PELO CLIMA - contra o aquecimento global e as alterações climáticas - pela organização 350, uma equipa dinâmica que integra jovens de vários países do Mundo (África do Sul, Alemanha, Austrália, Barbados, Bélgica, Brasil, Equador, Hungria, Índia, Líbano, Malásia, México, Nova Zelândia, Suécia e, na sua maioria, Estados Unidos da América).
As razões da escolha desta data prendem-se com o facto de 24 de Outubro ser o Dia das Nações Unidas e com o aproximar da Conferência das Nações Unidas em Copenhaga (Dezembro 2009), em que será firmado um novo Tratado Internacional sobre o Clima

Estão já confirmadas mais de 4800 acções pelo clima, em cerca de 180 países.

Organização 350

O número 350 representa o limite de concentração de CO2 [dióxido de carbono] na atmosfera [medido em ppm, partes por milhão] que actualmente os cientistas consideram seguro para a manutenção das condições de vida na Terra, sem criar desequilíbrios irreversíveis.
O que se verifica é que esse limite já foi ultrapassado (o valor actual é de cerca de 390 ppm) e prevê-se que se atinja o nível das 400 ppm na próxima década (com um aumento de 2 ppm por ano), se entretanto não forem tomadas medidas sólidas para contrariar a emissão de gases com efeito de estufa, dos quais o CO2 é o mais comum e o que tem o ciclo mais longo.

O degelo no Ártico, o degelo de glaciares e neves eternas na Ásia, na Europa e nas Américas, a submersão de várias ilhas, os picos registados nas emissões de metano (com efeito de estufa muito mais potente, embora menos abundante que o CO2), a rápida acidificação da água do mar e a morte dos recifes de coral - são sinais evidentes de que os limites de sustentabilidade da vida na Terra já foram ultrapassados. Aliás, o Global Humanitarian Forum relatou recentemente que as alterações climáticas são já responsáveis pela morte de 300 000 pessoas por ano.

Em Junho de 1988, James Hansen, cientista da NASA, foi o primeiro a denunciar o problema do aquecimento global perante o Congresso dos Estados Unidos da América, o país que mais tem contribuído para o excesso de emissões de CO2 a nível global.
Agora, vinte anos depois, uma equipa de investigadores liderada por ele afirma peremptoriamente que 350 ppm é a concentração máxima de CO2 que pode existir na atmosfera, se quisermos manter um planeta «semelhante àquele em que a civilização se desenvolveu e ao qual a vida na Terra está adaptada».

Quadro dos níveis de CO2 - 350.org

Está cientificamente demonstrado que este modo de vida dita «civilizada» não tem futuro. É preciso urgentemente:
- diminuir o desperdício e aumentar a eficiência energética;
- diminuir o consumo de combustíveis fósseis e aumentar o de energias limpas, alternativas.
Coisas tão elementares do nosso dia-a-dia como cozinhar, acender as luzes, ligar o aquecimento ou o ar condicionado baseiam-se em fontes energéticas que emitem CO
2 e outros gases com efeito de estufa.
É preciso urgentemente mudar de hábitos!

FONTE: www.350.org » FAQs, Frequently Asked Questions.

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Por isso, deixo aqui um APELO à participação no Dia Internacional de
ACÇÃO PELO CLIMA - contra o aquecimento global e as alterações climáticas.

Em Portugal, a Quercus organiza três destas acções:
- Vila Nova de Gaia, às 15:00 horas, no tabuleiro superior da ponte D. Luís.
- Lisboa, às 15:00 horas, no Padrão dos Descobrimentos (Belém).
- Montemor-o-Novo, às 9:00 horas, em Foros de Vale Figueira (Herdade do Freixo do Meio).

Mais informação nas Actividades do portal da Quercus.

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NOTA: Um artigo interessante, da autoria de Filipa Alves, a 13 Outubro '09, nas Notícias da Naturlink - Os níveis actuais de CO2 ocorreram pela última vez na história há 15 milhões de anos: A concentração atmosférica de CO2 tem variado entre 180ppm e 280ppm e o nível de 400ppm que será atingido daqui a uma década foi registado pela última vez há 15 milhões anos numa altura em que a camada de gelo sobre a Antárctida não existia e o nível do mar era 25-40m mais elevado.

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ADITAMENTO a 26 de Outubro 2009: Na sequência do comentário do Zé de Portugal [Um Jardim no Deserto], recolhi alguma informação mais sobre este assunto - e sobre a controvérsia à sua volta - no portal Real Climate, climate science from climate scientists, que aqui transcrevo por ordem cronológica (lamento não ter disponibilidade para fazer a respectiva tradução):

3 Dezembro 2004 - http://www.realclimate.org/index.php/archives/2004/12/co2-in-ice-cores/

It comes as no surprise that other factors besides CO2 affect climate. Changes in the amount of summer sunshine, due to changes in the Earth’s orbit around the sun that happen every 21,000 years, have long been known to affect the comings and goings of ice ages. Atlantic ocean circulation slowdowns are thought to warm Antarctica, also.  

... CO2 does not initiate the warmings, but acts as an amplifier once they are underway.

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22 Dezembro 2004 - http://www.realclimate.org/index.php/archives/2004/12/how-do-we-know-that-recent-cosub2sub-increases-are-due-to-human-activities-updated/

Over the last 150 years, carbon dioxide (CO2) concentrations have risen from 280 to nearly 380 parts per million (ppm). The fact that this is due virtually entirely to human activities is so well established that one rarely sees it questioned.

Since the industrial revolution, we have been burning fossil fuels and clearing and burning forested land at an unprecedented rate, and these processes convert organic carbon into CO2. Careful accounting of the amount of fossil fuel that has been extracted and combusted, and how much land clearing has occurred, shows that we have produced far more CO2 than now remains in the atmosphere. The roughly 500 billion metric tons of carbon we have produced is enough to have raised the atmospheric concentration of CO2 to nearly 500 ppm. The concentrations have not reached that level because the ocean and the terrestrial biosphere have the capacity to absorb some of the CO2 we produce.* However, it is the fact that we produce CO2 faster than the ocean and biosphere can absorb it that explains the observed increase.

Another, quite independent way that we know that fossil fuel burning and land clearing specifically are responsible for the increase in CO2 in the last 150 years is through the measurement of carbon isotopes.

Clearly, though, it is our ability to produce CO2 faster than the ocean and biosphere can absorb that it is the fundamental cause of the observed increase since pre-industrial times.

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27 Abril 2007 - http://www.realclimate.org/index.php/archives/2007/04/the-lag-between-temp-and-co2/

In the absence of human intervention CO2 does rise and fall over time, due to exchanges of carbon among the biosphere, atmosphere, and ocean and, on the very longest timescales, the lithosphere (i.e. rocks, oil reservoirs, coal, carbonate rocks). The rates of those exchanges are now being completely overwhelmed by the rate at which we are extracting carbon from the latter set of reservoirs and converting it to atmospheric CO2. No discovery made with ice cores is going to change those basic facts.

... CO2 may have reached levels of 1000 parts per million (ppm) — perhaps much higher — at times in the distant geological past (e.g. the Eocene, about 55 million years ago). What Barton doesn’t bother to mention is that the earth was much much warmer at such times. In any case, more relevant is that CO2 has not gone above about 290 ppm any time in the last 650,000 years (at least), until the most recent increase, which is unequivocally due to human activities [link para http://www.realclimate.org/index.php?p=87].

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20 Outubro 2009 - http://www.realclimate.org/index.php/archives/2009/10/climate-cover-up-a-brief-review/

We often allude to the industry-funded attacks against climate change science, and the dubious cast of characters involved, here at RealClimate. In recent years, for example, we’ve commented on disinformation efforts by industry front groups such as the “Competitive Enterprise Institute, the Cato Institute, the Fraser Institute, and a personal favorite, The Heartland Institute, and by industry-friendly institutions such as the Wall Street Journal editorial board, and other media outlets that assist in the manufacture and distribution of climate change disinformation.

When it comes to the climate change disinformation campaign, we have choosen to focus on the intellectually bankrupt nature of the scientific arguments, rather than the political motivations and the sometimes intriguing money trail.

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A PROPÓSITO, para relembrar: Só no que se refere à POLUIÇÃO LUMINOSA, estima-se que a energia desperdiçada corresponde anualmente a 32,3 milhões de barris de petróleo ou 9,1 milhões de toneladas de carvão - o equivalente a qualquer coisa como 1,74 biliões de dólares!

Categoria: OUTRAS IMAGENS

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Comentários(2) »

  1. zedeportugal — 25-10-2009 - 21:00:59 GMT 1

    Cara amiga,

    Pretender que o aumento das emissões de CO2 para a atmosfera é consequência somente da actividade humana e da utilização dos combustíveis fósseis é um simplismo para parolos. Sabe-se hoje que a actividade geológica (designadamente, a vulcânica) é responsável pelos maiores aumentos de CO2 atmosférico no mais curto espaço de tempo.
    De igual modo, criar uma relação directa entre o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o aumento médio da temperatura ambiente é outro simplismo inaceitável.
    O clima é resultado de um conjunto muito complexo de factores, alguns dos quais muito mais determinantes nas variações térmicas do que a composição atmosférica: os meteorologistas pensam actualmente que as grandes variações climáticas ao longo da História da Terra (glagiações e inter-glaciações) foram essencialmente devidas a variações na actividade solar.
    Só para ter uma ideia da complexidade subjacente ao estudo das alterações climáticas, deixo-lhe aqui alguns linques escolhidos sem grande critério, numa pesquisa sem grande profundidade:

    http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=66&cod_texto=1020

    http://www.realclimate.org/index.php/archives/2004/12/co2-in-ice-cores/

    http://icebubbles.ucsd.edu/Publications/CaillonTermIII.pdf
    (este é mesmo um artigo científico)

    As organizações por detrás de campanhas como esta que a minha amiga publicita aqui omitem uma parte substancial da informação e distorcem a formação da opinião pública fornecendo apenas a verdade conveniente (o contrário da tal verdade inconveniente que Al Gore usou como arma política).
    Se alguém nos mente (ou oculta partes da verdade, o que na prática tem o mesmo efeito: enganar-nos) deliberadamente, não podemos continuar confiar nesse alguém.

    Estas campanhas têm, obviamente, uma intenção, mas duvido muito que ela seja a que é anunciada.
    O uso que os interesses económicos e políticos (dinheiro e poder, as duas grandes motivações da humanidade) fazem das questões ambientais são vergonhosos - nada é aquilo que parece e muito menos aquilo que deveria ser.
    Abraço.

  2. am.ma — 26-10-2009 - 01:38:51 GMT 1

    Caro Zé de Portugal, independentemente de quaisquer interesses político-financeiros e de considerações da (falsa) economia global, aquilo que me preocupa mesmo e que está subjacente a este meu postal é, como escrevi, o seguinte:

    ...este modo de vida dita «civilizada» não tem futuro.
    É preciso urgentemente mudar de hábitos!

    Em termos de consumo / desperdício de energia (e de recursos naturais), a nossa civilização tende para o descalabro completo. Que as actividades humanas estão relacionadas com o recente aumento da concentração de CO2 na atmosfera, diz quem sabe do assunto, é uma realidade inequívoca: more relevant is that CO2 has not gone above about 290 ppm any time in the last 650,000 years (at least), until the most recent increase, which is unequivocally due to human activities.
    [in http://www.realclimate.org/index.php/archives/2007/04/the-lag-between-temp-and-co2/]

    Por outro lado, é um facto que estas questões sobre o aquecimento global têm gerado muitas opiniões controversas e divergentes e que a própria opinião dos especialistas tem vindo a evoluir ao longo dos últimos 20 anos. Agradeço encarecidamente a sua contribuição para enquadrar este tema com outras fontes, porque eu não tive tempo para uma pesquisa aprofundada. Aproveitei para fazer um aditamento ao postal, com passagens recolhidas nos links que sugeriu.

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