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264. POLUIÇÃO LUMINOSA

A iluminação artificial mal direccionada, ou seja, dirigida para os lados e para cima, constitui uma forma de poluição. A eficiência luminosa é muito pouca, uma vez que boa parte da luz se dispersa na atmosfera e não ilumina concretamente aquilo que se pretende.

Os aparelhos de iluminação (luminárias e lâmpadas) mal concebidos, mal localizados ou mal escolhidos, transformam o céu nocturno das nossas cidades num intenso clarão luminoso - extensa mancha de luz permanente, difusa e contínua, prejudicial em vários aspectos.

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Poluição luminosa no concelho de Oeiras - Portugal
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Poluição luminosa no concelho de Cascais - Portugal
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A dimensão deste problema pode constatar-se bem numa imagem actualmente muito divulgada, que a NASA publicou em Novembro de 2000 (imagem constituída pela montagem de centenas de fotografias de satélite, tiradas nos finais do século XX), que nos mostra o aspecto da Terra durante a noite, com vastas manchas de luz perfeitamente visíveis do espaço.

Para combater a poluição luminosa, a solução não é deixar de iluminar, mas sim iluminar eficazmente.
A diferença abismal que existe, em termos de eficácia, de qualidade visual e de consumo energético, entre uma iluminação poluente e outra não poluente, está bem patente neste exemplo e também neste outro.

A nível global, o intenso halo ou clarão - que se observa durante a noite sobre as áreas construídas - não só nos impede de ver a abóbada celeste e as estrelas, como constitui um enorme desperdício de energia e um transtorno grave para os ciclos naturais e biológicos, com consequências nefastas que se reflectem na nossa saúde, na vida de muitas espécies animais e vegetais e, portanto, também no ambiente.

De facto, estima-se que a energia desperdiçada, em resultado da iluminação artificial que se dispersa na atmosfera, corresponde anualmente a 32,3 milhões de barris de petróleo ou 9,1 milhões de toneladas de carvão - o equivalente a qualquer coisa como 1,74 biliões de dólares!

Em termos de saúde humana, a diminuição da capacidade visual é apenas o resultado mais imediato da poluição luminosa. Estudos recentes apontam para a alteração de vários processos fisiológicos, como o padrão das ondas cerebrais, a produção de hormonas (melatonina) e a regulação celular - alterações estas que podem desencadear insónias, depressões, doenças cancerígenas e cardio-vasculares.

Já no que se refere à vida animal, são conhecidos os efeitos de desorientação e de afectação dos padrões comportamentais (migração, acasalamento e nidificação, sono e alimentação) de inúmeras espécies. Tartarugas marinhas não conseguem voltar para o mar depois de desovar nas praias; aves são atraídas pela luz e morrem por colisão com os edifícios ou por voar ininterruptamente em círculos até à exaustão; predadores e insectos nocturnos perdem a capacidade de orientação e, consequentemente, de alimentação; espécies migratórias perdem o rumo e, consequentemente, a época de acasalamento e de reprodução; ...

E ainda, no que diz respeito à questão da segurança - um dos argumentos mais apregoados para justificar o excesso de iluminação artificial - os especialistas em criminologia defendem peremptoriamente que mais luz não significa mais segurança (antes pelo contrário!). Precisamos apenas de melhor luz.

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REFERÊNCIAS:

  • Desperdício de energia:
    - Brochura Light Pollution and Energy, da International Dark Sky Association (IDA), disponível para descarregar em pdf a cores (1,1 MB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_energy_brochure.pdf - ou a preto e branco (810 kB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_energy_brochure-bw.pdf.
  • Efeitos sobre a saúde humana:
    - Artigo de Janet Raloff, publicado a 23 Jan'09 na Science News em linha, Darkness, melatonin may stall breast and prostate cancers;
    - Brochura Light Pollution and Human Health, da International Dark Sky Association (IDA), disponível para descarregar em pdf a cores (1,4 MB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_human-health_brochure.pdf - ou a preto e branco (1,2 MB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_human-health_brochure-bw.pdf.
  • Efeitos sobre a vida selvagem:
    - Artigo de Connie Walker, publicado no portal Astronomical Society of the Pacific - A Silent Cry for Dark Skies;
    - Brochura Light Pollution and Wildlife, da International Dark Sky Association (IDA), disponível para descarregar em pdf a cores (1,5 MB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_wildlife_brochure.pdf - ou a preto e branco (810 kB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_wildlife_brochure-bw.pdf.
  • Questões de segurança:
    - Brochura Light Pollution and Safety, da International Dark Sky Association (IDA), disponível para descarregar em pdf a cores (2,2 MB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_safety_brochure.pdf - ou a preto e branco (576 kB) - http://docs.darksky.org/Docs/ida_safety_brochure-bw.pdf.

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ADITAMENTO: Uma maneira simples de todos podermos contribuir para diminuir a poluição luminosa (e os seus efeitos nefastos) é ter o cuidado de fechar as persianas, quando acendemos as luzes à noite. Tenho reparado na enorme quantidade de janelas iluminadas que poluem as nossas noites na cidade - e se, em cada uma das casas e dos escritórios iluminados, se «apagar» uma janela, a diferença já será substancial!

Ver também o postal A ESCURIDÃO DO CÉU.

Categoria: A CIDADE

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Comentários(2) »

  1. zedeportugal — 17-05-2009 - 23:50:41 GMT 1

    Muito bem documentado.
    É, de facto, um grave problema. E a hipocrisia dos poderes públicos também: os mesmos que fazem campanhas que quase obrigam as pessoas a usar lâmpadas economizadoras (cuja luz intermitente não é adequada para a leitura e faz muito mal aos olhos e aos centros nervosos associados, especialmente quando é usada apenas uma lâmpada) dão-se ao luxo de desperdiçar enormes quantidades de energia (e dinheiro dos contribuintes) em iluminações públicas muitíssimo mal feitas.
    É preciso fazer aprovar legislação que responsabilize os políticos eleitos e os gestores públicos pelo mau uso da coisa pública (accountability). Quando assim for, eles passarão a dar o exemplo... ou a ser o exemplo do que acontece a quem é incompetente ou mal intencionado.

  2. am.ma — 19-05-2009 - 00:14:16 GMT 1

    Este tipo de poluição ainda não é encarado como tal pela generalidade das pessoas. Ficamos impressionados com a multiplicidade de problemas que pode provocar.
    Mas os políticos, esses, querem é iluminações feéricas que dêem nas vistas - para ficar tudo muito mais bonito!

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