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205. UM EDIFÍCIO MARCANTE

O GRANDE HOTEL GUADIANA é, sem dúvida, o edifício mais marcante e também o mais bonito (a questão de gosto é discutível) da frente ribeirinha do rio Guadiana em Vila Real de Santo António, agora junto ao porto de recreio.

O Grande Hotel Guadiana - Vila Real de Santo António, Portugal

O Hotel foi inaugurado em 1926 (o primeiro hotel a sul do Tejo...), propriedade da família Ramirez - um nome sonante na Vila, indissociável da indústria conserveira e do desenvolvimento local desde meados do século XIX.

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Grande Hotel Guadiana, fachada principal - V. Real Sto. António, Portugal...Grande Hotel Guadiana, aspecto da fachada - V. Real Sto. António, Portugal
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Quando analisado mais de perto, no entanto, o edifício revela uma imagem algo pesada e rebuscada - pela profusão e mescla de elementos decorativos que compõem as fachadas - ao gosto da época. Isto leva-nos à ideia de que a sua beleza resulta mais da sua posição no conjunto construído do que das suas qualidades intrínsecas.
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Grande Hotel Guadiana, detalhe da fachada - V. Real Sto. António, Portugal

Grande Hotel Guadiana, detalhe da fachada - V. Real Sto. António, Portugal

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De facto, este edifício surge como elemento marcante numa frente construída harmoniosa, que apenas pontua, sem distorcer: o gaveto é sublinhado (aspecto importante nos traçados pombalinos), a unidade urbana é enriquecida e ganha um novo significado, uma nova referência.
Infelizmente, não é o que acontece hoje em dia nas nossa cidades, onde surgem edifícios «marcantes» em todo o lado, não só em todas as esquinas, como também em todos os intervalos...

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O problema da unidade urbana é um dos problemas mais graves do urbanismo e da arquitectura actuais - um problema que com o correr dos tempos foi sendo esquecido e hoje completamente desprezado. Daí resultou essa confusão arquitectónica em que vivemos, desfigurando os conjuntos urbanos de todas as cidades modernas.
[A] confusão existente é aceite e permitida sem discussão. Ao projectar seus edifícios o arquitecto esquece a relação que deveria existir entre eles e o ambiente no qual estão inseridos e a ideia do show arquitectural prevalece e a unidade urbana, já tão ofendida, ainda mais se agrava.
Oscar Niemeyer, Conversa de Arquitecto. 1993.

Categoria: A ARQUITECTURA

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Comentários(2) »

  1. jardineiromor — 20-11-2008 - 00:08:42 GMT 1

    Em Portugal não se faz urbanismo há muitos anos. Os planos urbanísticos actuais são verdadeiras aberrações que impedem qualquer criatividade, qualquer qualidade. A última vez que se fez urbanismo em Lisboa foi nos anos 60, nos Olivais - e esta afirmação não significa que aprecie as opções aí tomadas, mas quer tão só constatar que foi feito urbanismo.

  2. am.ma — 22-11-2008 - 13:24:48 GMT 1

    Um exemplo recente de que tive conhecimento - o Plano de Pormenor da Quinta do Barão, em Carcavelos (Câmara Municipal de Cascais) - é uma vergonha de facto, sem qualquer princípio de estrutura, funcionalidade e coerência urbanas.

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