195. A NASCENTE E A GRUTA DO ALMONDA
A nascente do rio Almonda corresponde a um dos mais importantes aquíferos cársicos de Portugal e é alimentada por um sistema hidrológico subterrâneo baseado no polje de Mira-Minde (incluído na lista de sítios da Convenção de Ramsar, na Rede Natura 2000 e no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros). Os episódios de inundação do polje, com flutuações superiores a 100 metros no nível do lençol freático, são um exemplo raro na região biogeográfica Mediterrânica Ocidental.
Curiosamente, a nascente do Almonda (freguesia da Zibreira, Torres Novas) não é abrangida pela área do Parque Natural [PNSAC], o que motivou uma apreciação muito crítica por parte da Sociedade Portuguesa de Espeleologia, aquando da revisão do respectivo Plano de Ordenamento: pese embora o unânime reconhecimento da importância do Maciço Calcário Estremenho enquanto região cársica mais característica de Portugal, onde se podem «ler» passos importantíssimos da evolução da Bacia Lusitânica, com extensos campos de lapiás, grupos de dolinas de várias tipologias e poljes de excelência, no qual existiam antes do início do desenvolvimento explosivo da exploração de pedra, mais de um milhar de grutas e que constitui o aquífero cársico com as nascentes mais caudalosas de Portugal [...] - no Regulamento não há qualquer referência à necessidade de anexar áreas contíguas do Maciço Calcário Estremenho quer porque constituem a continuidade natural de áreas do PNSAC, quer porque complementam a diversidade espeleológica, geológica e geomorfológica do PNSAC, quer ainda porque constituem áreas de prolongamento de grutas importantes ou fazem parte das bacias de alimentação de nascentes importantes. Para dar apenas três exemplos paradigmáticos do domínio da geomorfologia cársica, lembramos que a vertente nordeste do Polje de Minde, a Gruta dos Moinhos Velhos e a Gruta da Nascente do Almonda não estão incluídas na área do PNSAC.
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À nascente do Rio Almonda está associada uma gruta, classificada como Património Arqueológico (Imóvel de Interesse Público, pelo decreto nº 45/93 de 30 Novembro). Segundo a descrição que consta do portal do IPPAR, a gruta da nascente do Almonda integra um vasto conjunto de galerias subterrâneas, uma fósseis e outras ainda em actividade. Os vestígios arqueológicos foram encontrados em dois locais diferentes da gruta: na Entrada 1, junto da nascente do rio, na freguesia da Zibreira, foram encontrados materiais cuja cronologia se estende do Paleolítico Médio e Superior à época romana; na Entrada 2, sita na freguesia de Pedrógão, foi detectada uma jazida do Paleolítico Inferior, com abundantes restos faunísticos.
Em termos de pesquisa arqueológica, há cerca de 30 anos que se sucedem as campanhas arqueológicas no sistema de Grutas do Almonda [...]. O primeiro passo neste trabalho foi dado pela Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), que descobriu os primeiros utensílios em pedra, que desencadearam todo o trabalho que se seguiu. Isto, em 1987. Desde então, o trabalho tem continuado e o resultado de tantos anos de exploração, materializado em achados, poderia ser muito maior, não fosse a falta de financiamento que condiciona a evolução da investigação.
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A gruta da nascente do Almonda é ainda considerada como um verdadeiro santuário da espeleologia nacional, de acordo com este postal no blogue Spelaion (9 Julho '08):
A visita à Gruta da Nascente do Rio Almonda é um misto de aprendizagem e aventura. [...]
A Gruta do Almonda é a maior cavidade conhecida em Portugal: cerca de 15 quilómetros de desenvolvimento. Esta resulta fundamentalmente da acção de duas ribeiras subterrâneas, a do Oeste e a do Norte, que se juntam perto da nascente. Para além do «Labirinto», todas as galerias que se conhecem actualmente desenvolvem-se ao longo da Ribeira do Norte, estando em curso os trabalhos de localização das galerias fósseis da Ribeira do Oeste. Para além de possuir galerias de dimensões consideráveis, algumas delas com bonitos lagos, a Gruta do Almonda é um verdadeiro «tesouro subterrâneo» por diversos motivos. Apresenta concreções de rara beleza (destacando-se as da «Sala Dourada»), marcas de garras e «camas» de Ursus spelaeus, jazidas arqueológicas que vão desde o Paleolítico inferior até à época romana e colónias de morcegos. A Gruta do Almonda é tida como um verdadeiro santuário da espeleologia nacional: a sua exploração remonta a 1937, quando M. Vaultier e J. Bensaude percorreram 50 metros do corredor de entrada.
[negritos da minha autoria].
VER TAMBÉM o postal Proteger as Cavernas Europeias.
Categoria: A ÁGUA
Tags: Imagem Nascente Almonda Gruta Aquífero Cársico Convenção Ramsar Rede_Natura_2000 Parque_Natural Serras_de_Aire_e_Candeeiros Zibreira Torres_Novas Portugal Sociedade_Portuguesa Espeleologia Património Arqueologia Paleolítico
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DIGNIDADE e JUSTIÇA para



Mais informação no postal
- deu entrada na Assembleia da República, a 8 Maio 2008, com




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Obrigado por dar a conhecer coisas tão interessantes. Por estas bandas conheço apenas as grutas de Mira d'Aire e Stº António e não fazia ideia de que houvesse este tanto mais. Fico cheio de curiosidade para conhecer esta gruta da nascente do Almonda.
Este país tem tanto Património natural e construído abandonado, degradado, ignorado, desaproveitado... Não há dinheiro, dizem os que governam - mal. Quem não reconhece a sua própria riqueza é burro.
De facto, a Internet proporciona-nos uma facilidade extraordinária de acesso à informação e ao conhecimento. Encontramos coisas interessantíssimas que, de outro modo, não imaginaríamos sequer que existem.
Eu é que agradeço, Zé de Portugal.
Meus amigos a Gruta não fica na freguesia de Zibreira, já era tempo de alguém emendar tal erro, toda a parte explorada da Gruta se desenvolve para dentro da freguesia de Pedrogão, encontrando-se uma das entradas no limite da duas freguesias....
O que está escrito no postal é que a nascente (não a gruta) se localiza na freguesia da Zibreira.
Por outro lado, na transcrição que se faz do texto disponibilizado pelo IPPAR, refere-se que uma das entradas da gruta, junto da nascente do rio, se localiza nessa freguesia. O mesmo texto, aliás, é reproduzido pela respectiva Junta de Freguesia.
Não está dito em lado nenhum que a gruta se localiza na Zibreira, apesar de - em termos de classificação patrimonial - o IPPAR assim o considere (ver ligação inserida no postal).
O Henrique devia - primeiro - começar por ler com atenção e - segundo - fundamentar as suas observações críticas...