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190. UM PAINEL DE MARIA KEIL

- na sua terra natal - em Silves (Largo Conselheiro Magalhães).
Um painel de azulejos. Uma bela homenagem, recíproca entre a artista e a cidade.

Painel de Maria Keil no Largo Conselheiro Magalhães - Silves, Portugal

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Painel de azulejos de Maria Keil - Silves, Portugal

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Detalhe do painel de azulejos de Maria Keil - Silves, Portugal

Maria fica sempre fora de todos os discursos.
Há algo de imponderável, de não tocável ou que possa ser descrito na pessoa física, na personalidade tão rara de Maria Keil.

[Matilde Rosa Araújo, Maria Keil, Exposição Maria Keil Ilustradora - na Biblioteca Nacional, Set-Nov 2004].

Na sua infinita modéstia, nada lhe obedece à vontade. As «coisas», como o mundo, foram ter com ela, que se limitou a acolhê-las. Pediam-lhe uma ilustração, ela fazia. O marido precisava de resolver as paredes, ela pintava azulejos. Queria exprimir uma ideia, desenhava um móvel. E as «coisas» são a realidade, que persegue ainda na sua longa carreira nas artes gráficas, na ilustração, no azulejo, na pintura. Um olhar que é, como a artista, de simplicidade e elegância desconcertantes. E de uma extraordinária agudeza.
[João Paulo Cotrim, Maria Keil - A Linha e o Traço, jornal Expresso 28 Ago 2004].

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Maria Keil, uma SENHORA extraordinária, actualmente com a bonita idade de 94 anos, veio a público recentemente (27 de Setembro) lamentar e repudiar a petição que está a correr on line, a propósito dos seus painéis de azulejos nas estações do Metropolitano de Lisboa.
Entretanto, o seu filho tinha já escrito uma mensagem no mesmo sentido, publicada a 25 de Setembro.
Posteriormente, a 28 de Setembro, o autor da petição escreveu que esta «vai ser retirada logo que isso seja tecnicamente possivel» (http://faceocultaterra.blogspot.com/2008/09/arte-pblica-uma-prerrogativa-dos.html).
Não percebo muito bem o que quer dizer este tecnicamente possível - e o facto é que a petição ainda está on line hoje, passada uma semana.

Por isso deixo aqui um APELO:

Maria Keil, uma SENHORA extraordinária, actualmente com a bonita idade de 94 anos, merece toda a nossa admiração e todo o nosso respeito. Respeito pela sua arte e pela sua obra, respeito pelos seus sentimentos e pela privacidade dos seus assuntos, respeito pela sua vontade e pela sua dignidade.

POR FAVOR, NÃO ASSINEM ESTA PETIÇÃO!

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ADITAMENTO a 17 de Outubro: A petição ainda está on line. A manifestação contra os atentados ao património neste País é legítima - mais, é de enaltecer e apoiar - mas a nossa legitimidade e a nossa liberdade acabam onde começa a dos outros. E, neste caso, ninguém tem mais legitimidade para se pronunciar do que Maria Keil. A insistência nesta petição (ainda por cima, tantos anos passados sobre os acontecimentos) é um atentado à legitimidade, à liberdade e à dignidade de Maria Keil - e isso não é legítimo, nem digno!

Nota: Sobre azulejos, ver também os postais - O Azulejo em Portugal e O Canal de azulejos em Queluz.

Categoria: O LUGAR DA ARTE

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Comentários(2) »

  1. zedeportugal — 06-10-2008 - 23:04:08 GMT 1

    É de um enorme descaramento fazer uma coisa destas sem consultar a artista.
    E não se retratar imediatamente é ainda pior.
    Uma coisa destas só pode vir de homens de mão do poder para tentar desacreditar a blogosfera.
    Quiçá, uma nova internacional situacionista (porque esta gente não sabe inventara nada de novo, limitam-se a copiar e mesmo isso bem mal):

    Idéias da Internacional Situacionista
    A sociedade do espetáculo: "Nós vivemos em uma sociedade do espetáculo, isto é, toda a nossa vida é envolta por uma imensa acumulação de espetáculos. As coisas que eram vivenciadas diretamente agora são vivenciadas através de um intermediário. A partir do momento que uma experiência é tirada do mundo real ela se torna um produto comercial. Como um produto comercial o "espetacular" é desenvolvido em detrimento do real. Ele se torna um substituto da experiência." - Tradução de trecho do livro 'Spectacular Times' de Larry Law.
    "O espetáculo não é uma coleção de imagens, mas uma relação social entre pessoas, intermediada por imagens... O espetáculo em geral, como uma concreta inversão da vida, é um movimento autônomo do não vivente... O mentiroso mentiu pra si mesmo" - Guy Debord
    Os situacionistas argumentariam contra qualquer separação entre um espetáculo "falso" e a "verdadeira" vida cotidiana. Debord contrastando Hegel diz que dentro do espetáculo, "o verdadeiro é um momento do falso". O espetáculo não é uma conspiração. Os Situacionistas diriam que a sociedade chega ao nível do espetáculo quando praticamente todos os aspectos da cultura e experiência são intermediados por uma relação social capitalista.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Internacional_Situacionista

  2. am.ma — 06-10-2008 - 23:57:18 GMT 1

    Em vez de sociedade do espectáculo, eu diria antes sociedade da fantochada. E não é sequer a mesma coisa que um espectáculo de fantoches, porque os fantoches são simples e verdadeiros no seu faz-de-conta, ao contrário destes societários da fantochada!

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