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186. O CANAL DE AZULEJOS EM QUELUZ

Nos jardins do Palácio de Queluz (concebidos pelo francês Jean-Baptiste Robillion em meados do século XVIII), um dos divertimentos da família real era passear em pequenos barcos no fresco canal.

Pouco antes de 1755, foi construído um canal, em parte descoberto e em parte subterrâneo e abobadado, para conduzir o rio Jamor através da propriedade [...]. A secção mais longa deste canal, com cerca de 115 metros de comprimento, podia encher-se de água graças a um sistema de comportas a juzante (1753), donde a sua designação de Lago Grande.
Nas paredes interiores do canal, bem como no arco de suporte e na escada de acesso ao rio, foram colocados painéis de azulejos azuis e brancos feitos por João Nunes.

O canal, protegido do sol por uma álea de amoreiras, é uma das partes mais originais e lúdicas  do jardim, respirando uma atmosfera diferente e mais tradicional.
A combinação dos azulejos, do reflexo das águas e da luz do sol filtrada pelas folhas das árvores é genuinamente portuguesa e fora já utilizada no século XVI na Quinta da Bacalhoa, em Azeitão, e no século XVII no Palácio Fronteira, em Lisboa.

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Canal de azulejos nos jardins do Palácio de Queluz - Sintra, Portugal

No centro do canal e sobre um arco abobodado, erguia-se a Casa da Música (também designada por Casa do Lago ou Casa Chinesa), um pavilhão de jardim rematado por uma cúpula, cujas portas se abriam sobre o canal, de modo a que a música da orquestra se difundia sobre a água e os barcos. Este pavilhão já não existe, mas terá certamente conferido outra escala e uma certa monumentalidade ao conjunto do canal.

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Painel no canal de azulejos, jardins de Queluz - Sintra, Portugal

Quando as comportas eram fechadas e o canal se enchia, os painéis de azulejos ficavam ao nível da superfície da água, para que as cenas representadas pudessem ser vistas dos barcos, donde se deveria ter a ilusão, antes do tempo, de se assistir a uma sequência filmada.

Palácios, portos de mar, ruínas da Antiguidade, jardins com as suas fontes, lagos e cisnes, cortesãos, pescadores e camponeses são habilmente criados - ou retirados de gravuras francesas, holandesas ou italianas [...].

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Detalhe do canal de azulejos, jardins de Queluz - Sintra, Portugal

Detalhe do canal de azulejos, jardins de Queluz - Sintra, Portugal

Aspectos do Canal de azulejos ou Lago Grande nos jardins do Palácio Nacional [Real] de Queluz.
Mais fotografias no portal World Monuments Fund Portugal.
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Fonte: Simonetta Luz Afonso et Angela Delaforce, Palácio de Queluz - Jardins. 1989.

Notas: Sobre azulejos, ver também os postais - O Azulejo em Portugal e Um Painel de Maria Keil.
Outras imagens deste jardim nos postais Detalhes em Pedra e A Dama de Pedra.

Categoria: O PATRIMÓNIO

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Comentários(4) »

  1. Fernando — 28-09-2008 - 10:56:53 GMT 1

    Quando tanto se fala no muito que há para reparar no P de Queluz é bom que se recordem, e revejam, o que outros fizeram.
    Uma palavra para a antiga directora Simoneta Afonso---deixou marcas muito positivas a sua passagem pelo Palácio.

  2. am.ma — 28-09-2008 - 15:47:32 GMT 1

    Da obra de Simonetta Luz Afonso, confesso que só conheço o livro em que me baseei para o texto deste postal. Mas (só) a publicação desta obra, com as referências e apoios que reuniu - e especialmente à época em que foi feita - já é um caso ímpar em Portugal, de louvar e enaltecer.

  3. zedeportugal — 29-09-2008 - 12:48:20 GMT 1

    Um belo postal. Uma lição de História... das particularidades portuguesas num jardim clássico "à francesa".
    Quanto a Simonetta, parece ter por lá deixado gente saudosa...

  4. am.ma — 30-09-2008 - 19:22:18 GMT 1

    Só é lamentável que haja tão pouca divulgação deste nosso património. Em Portugal há jardins históricos lindíssimos, para além deste, da Bacalhoa e de Fronteira, mas infelizmente a maior parte das pessoas não os conhece. Aliás, tanto quanto sei, nem sequer estão acessíveis ao público. E, também por isso, os jardins em Portugal não são respeitados e são normalmente encarados como mera decoração (arranjos), em vez de espaços para serem plenamente vividos e sentidos.

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