Documento: A FRAGATA COMO MUSEU
[Complemento do postal FRAGATA D. FERNANDO II E GLÓRIA, 5 Janeiro 2008].
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Esta reportagem foi publicada no Jornal Margem SUL, do qual é propriedade e responsabilidade (texto e imagens), edição online de 07 Dez 2007.
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Reportagem » FRAGATA D. FERNANDO II E GLÓRIA SERÁ MUSEU VIVO EM ALMADA
A Fragata D. Fernando II e Glória já se encontra na Doca 2 da Ex Parry and Son, em Cacilhas (Almada), onde será reparada e onde permanecerá enquanto museu vivo, passível de ser visitado. Para o vereador da Cultura de Almada, António Matos, a emblemática fragata, o último navio a percorrer a “Carreira da Índia”, vem “contribuir para que se cumpra a cidade cultural que é Almada e para promover o turismo no concelho”.
António Matos considera que a Doca 2 “é um local excepcional para a fragata”, pois “toda aquela zona de Cacilhas será recuperada”, a médio e longo prazo, como prevêem os planos de Cacilhas e de Almada Nascente, e o Metro Sul do Tejo ligará à zona, que será de “afluência fácil”.
O vereador lembra que a fragata está operacional e não precisa de obras de fundo, que aconteceram nos anos 90, de modo a preparar a fragata para a EXPO’98. Serão porém efectuados alguns restauros que deveriam entretanto ter sido realizados. Esta reparação servirá também de formação para carpinteiros de machado, onde há cada vez menos oferta.
Existe assim, “além do projecto de recuperação da fragata, também um projecto de formação em artes e ofícios tradicionais em extinção”, frisa António Matos.
Embora a Fragata D. Fernando II e Glória esteja apta para começar a receber visitas do público, estas só deverão começar a acontecer de forma regular em meados de 2008, de modo a que haja “uma preparação e uma organização prévia”, esclarece o edil. No entanto, as visitas ao navio iniciar-se-ão com as actividades de reparação a decorrer, o que, juntamente com a “dificuldade de se conseguir carpinteiros navais e calafates disponíveis na região, justifica que a intervenção demore mais tempo”, esclarece João Maurício Barbosa, porta-voz do Gabinete do Chefe de Estado Maior da Armada.
A chegada da fragata a Cacilhas é o resultado de um protocolo celebrado entra a autarquia, a Marinha e a AGII Atlântico, SGII (proprietária da Doca). O custo da reparação não é para já revelado, uma vez que primeiro “serão realizadas vistorias, agora com o navio fora de água”, avança João Maurício Barbosa. Além da autarquia e do Estado, esperam-se também participações financeiras do mecenato, à semelhança do que aconteceu na recuperação inicial entre 1993/1997.
Na D. Fernando II e Glória será possível encontrar os arranjos interiores, mobiliário, armamento, paióis e manequins personalizando cenas de vida de bordo do século XIX. “O navio é um museu vivo, mostra o navio como era e como funcionou, sem abastardamentos ou postiços”, conclui António Matos.
Um navio com 162
anos de história
A Fragata D. Fernando II e Glória foi o último navio que os estaleiros do antigo Arsenal Real de Marinha de Damão construíram para a Marina Portuguesa. Foi também o último a percorrer a chamada “Carreira da Índia” (linha militar regular que durante três séculos ligou Portugal à Índia). O nome da fragata é uma homenagem a D. Fernando Saxe Coburgo Gota, marido da Rainha D.Maria II, e à Nossa Senhora da Glória, de especial devoção entre os goeses. Tem uma lotação máxima de 379 homens.
A viagem inaugural, de Goa para Lisboa, teve lugar em 1845, com largada a 2 de Fevereiro e chegada a 4 de Julho. Durante os 33 anos em que navegou percorreu cerca de cem mil milhas, quase cinco voltas ao mundo. Em 1940, depois de ter sido considerada sem condições para ser utilizada pela Marinha, passou a servir como sede da Obra Social da Fragata D. Fernando, criada para receber rapazes oriundos de famílias de poucos recursos económicos, que ali recebiam instrução militar e treino de marinharia. Foi nesta função que, em 1963, um violento incêndio destruiu a fragata em grande parte.
O que restou da fragata ficou esquecido. Enterrada no lodo durante mais de 25 anos, em 1990 foi assinado um protocolo entre a Marinha e a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugue-ses para recuperar a fragata, o que foi concretizado a tempo da EXPO’98, onde, no Pavilhão das Comunidades, foi visitada por mais de um milhão de pessoas. Inicia-se agora uma nova fase de reparação para que se torne num atractivo histórico na cidade de Almada.
Cláudia Rocha Monteiro

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A Imagem da Paisagem, 5 Janeiro 2008.


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- deu entrada na Assembleia da República, a 8 Maio 2008, com




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