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195. A NASCENTE E A GRUTA DO ALMONDA

am.ma 25/10/2008 @ 00:40

A nascente do rio Almonda corresponde a um dos mais importantes aquíferos cársicos de Portugal e é alimentada por um sistema hidrológico subterrâneo baseado no polje de Mira-Minde (incluído na lista de sítios da Convenção de Ramsar, na Rede Natura 2000 e no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros). Os episódios de inundação do polje, com flutuações superiores a 100 metros no nível do lençol freático, são um exemplo raro na região biogeográfica Mediterrânica Ocidental.

Curiosamente, a nascente do Almonda (freguesia da Zibreira, Torres Novas) não é abrangida pela área do Parque Natural [PNSAC], o que motivou uma apreciação muito crítica por parte da Sociedade Portuguesa de Espeleologia, aquando da revisão do respectivo Plano de Ordenamento: pese embora o unânime reconhecimento da importância do Maciço Calcário Estremenho enquanto região cársica mais característica de Portugal, onde se podem «ler» passos importantíssimos da evolução da Bacia Lusitânica, com extensos campos de lapiás, grupos de dolinas de várias tipologias e poljes de excelência, no qual existiam antes do início do desenvolvimento explosivo da exploração de pedra, mais de um milhar de grutas e que constitui o aquífero cársico com as nascentes mais caudalosas de Portugal [...] - no Regulamento não há qualquer referência à necessidade de anexar áreas contíguas do Maciço Calcário Estremenho quer porque constituem a continuidade natural de áreas do PNSAC, quer porque complementam a diversidade espeleológica, geológica e geomorfológica do PNSAC, quer ainda porque constituem áreas de prolongamento de grutas importantes ou fazem parte das bacias de alimentação de nascentes importantes. Para dar apenas três exemplos paradigmáticos do domínio da geomorfologia cársica, lembramos que a vertente nordeste do Polje de Minde, a Gruta dos Moinhos Velhos e a Gruta da Nascente do Almonda não estão incluídas na área do PNSAC.

A nascente do Rio Almonda na Zibreira - Torres Novas, Portugal

À nascente do Rio Almonda está associada uma gruta, classificada como Património Arqueológico (Imóvel de Interesse Público, pelo decreto nº 45/93 de 30 Novembro). Segundo a descrição que consta do portal do IPPAR, a gruta da nascente do Almonda integra um vasto conjunto de galerias subterrâneas, uma fósseis e outras ainda em actividade. Os vestígios arqueológicos foram encontrados em dois locais diferentes da gruta: na Entrada 1, junto da nascente do rio, na freguesia da Zibreira, foram encontrados materiais cuja cronologia se estende do Paleolítico Médio e Superior à época romana; na Entrada 2, sita na freguesia de Pedrógão, foi detectada uma jazida do Paleolítico Inferior, com abundantes restos faunísticos.

Em termos de pesquisa arqueológica, há cerca de 30 anos que se sucedem as campanhas arqueológicas no sistema de Grutas do Almonda [...]. O primeiro passo neste trabalho foi dado pela Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), que descobriu os primeiros utensílios em pedra, que desencadearam todo o trabalho que se seguiu. Isto, em 1987. Desde então, o trabalho tem continuado e o resultado de tantos anos de exploração, materializado em achados, poderia ser muito maior, não fosse a falta de financiamento que condiciona a evolução da investigação.

A gruta da nascente do Almonda é ainda considerada como um verdadeiro santuário da espeleologia nacional, de acordo com este postal no blogue Spelaion (9 Julho '08):

A visita à Gruta da Nascente do Rio Almonda é um misto de aprendizagem e aventura. [...]
A Gruta do Almonda é a maior cavidade conhecida em Portugal: cerca de 15 quilómetros de desenvolvimento. Esta resulta fundamentalmente da acção de duas ribeiras subterrâneas, a do Oeste e a do Norte, que se juntam perto da nascente. Para além do «Labirinto», todas as galerias que se conhecem actualmente desenvolvem-se ao longo da Ribeira do Norte, estando em curso os trabalhos de localização das galerias fósseis da Ribeira do Oeste. Para além de possuir galerias de dimensões consideráveis, algumas delas com bonitos lagos, a Gruta do Almonda é um verdadeiro «tesouro subterrâneo» por diversos motivos. Apresenta concreções de rara beleza (destacando-se as da «Sala Dourada»), marcas de garras e «camas» de Ursus spelaeus, jazidas arqueológicas que vão desde o Paleolítico inferior até à época romana e colónias de morcegos. A Gruta do Almonda é tida como um verdadeiro santuário da espeleologia nacional: a sua exploração remonta a 1937, quando M. Vaultier e J. Bensaude percorreram 50 metros do corredor de entrada.

[negritos da minha autoria]

Categoria: A ÁGUA

171. BRINCOS-DE-PRINCESA

am.ma 16/08/2008 @ 20:40

As plantas vulgarmente conhecidas por Brincos-de-Princesa pertencem ao género Fuchsia (Família Onagraceae).
Todas elas são originárias da América Central e do Sul, excepto três espécies Neo-zelandesas. Existem espécies rastejantes, anãs e sub-arbustivas, bem como outras arbustivas de grande porte (algumas podem atingir os 4 a 5 metros de altura).

Tanto quanto se sabe, os Brincos-de-Princesa foram introduzidos na Europa nos finais do século XVIII. A partir da primeira metade do século XIX, alguns horticultores dedicaram-se a desenvolver híbridos e cultivares destas espécies: o sucesso foi tal que, actualmente, se conhecem e comercializam muitas centenas de variedades.
Admiradores e coleccionadores organizam mostras e exposições regulares.

Vasos suspensos com híbridos de Fuchsia

Brincos-de-Princesa, híbrido de Fuchsia

Brincos-de-Princesa, híbrido de Fuchsia

Brincos-de-Princesa, híbrido de Fuchsia

Imagens de diferentes híbridos de Fuchsia sp.

As flores, simples ou dobradas, são normalmente pendentes, na extremidade de pedúnculos finos e compridos. As corolas podem ser mais ou menos cilíndricas, afuniladas ou globosas, e abrangem uma variedade notável de tonalidades, desde o branco ao púrpura, passando por cor-de-rosa, vermelho e carmim, mais raramente alaranjado; existem ainda variedades com corolas listadas. Uma característica particular destas flores é o facto de os estames e estiletes serem bastante compridos, pendendo da corola, o que acentua a imagem de leveza e de exotismo destas plantas.

Categoria: FLORA E VEGETAÇÃO

169. MOSAICOS POLÍCROMOS EM CONÍMBRIGA

am.ma 09/08/2008 @ 14:35

A cidade romana de Conímbriga (cujo apogeu parece situar-se entre os séculos I e III) desenvolveu-se num planalto que apresenta vestígios conhecidos de ocupação humana desde finais da Idade do Bronze, próximo de Coimbra, no concelho de Condeixa-a-Nova.
As Ruínas de Conímbriga foram classificadas como Monumento Nacional em 1910.

Uma das características mais notáveis das construções de Conímbriga é a profusão de elementos decorativos, nomeadamente de mosaicos: na sua maioria, são composições geométricas de reticulados, axadrezados e imbricados, em bicromia (preto e branco), com predomínio do fundo branco.
Também aparecem, no entanto, motivos centrais e padrões polícromos, por vezes figurativos e muito pormenorizados, de grande riqueza e valor artístico.

Mosaico polícromo em Conímbriga, Coimbra - Portugal

Mosaico polícromo em Conímbriga, Coimbra - Portugal

Mosaico polícromo em Conímbriga, Coimbra - Portugal

Três exemplos de mosaicos polícromos em Conímbriga.

Os materiais usados nestes mosaicos incluem os calcários da região, que por si só fornecem uma ampla paleta de cores, e o vidro. A densidade das tesselas (pedrinhas) por decímetro quadrado varia desde 60-70, nos mosaicos mais simples, até 300-400 (!!!) nas composições mais elaboradas. De referir que estes valores mais elevados de densidade correspondem, na prática, a tesselas de 3-5 milímetros, o que é de facto impressionante.
Referência: Miguel Pessoa, Contributo para o Estudo dos Mosaicos Romanos no Território das Civitates de Aeminium e de Conimbriga, Portugal. 2005.

Para ver também: postal sobre os Mosaicos de Milreu

Categoria: O PATRIMÓNIO

168. PÉRGULAS DE JARDIM

am.ma 07/08/2008 @ 01:11

Latada, parreira ou pérgula [pergola em inglês, francês e italiano; pérgola em espanhol. Do latim pergula].

As pérgulas constituem um elemento multi-funcional característico dos jardins mediterrânicos, embora também se encontrem noutras latitudes.
A sua origem é difícil de precisar.
Terão sido inicialmente estruturas de suporte para a cultura de videiras nos jardins do Antigo Egipto, tal como aparecem representadas em pinturas murais e objectos funerários, dos segundo e primeiro milénios antes de Cristo. Ou então apoios para o cultivo de roseiras, tão apreciadas nos jardins da Pérsia desde a Antiguidade.

Pérgula junto ao Museu das Ruínas de Conímbriga, Coimbra - Portugal

Pérgula no Jardim Botânico da Madeira, Funchal

Duas imagens de pérgulas bem diferentes: em cima, próximo de Coimbra, no Museu Monográfico das Ruínas Romanas de Conímbriga; em baixo, no Funchal, no Jardim Botânico da Madeira.

Uma pérgula pode conjugar várias funções, desde a utilitária (cultura de frutícolas), à prática (abrigo do sol) e à estética (quer pela beleza da estrutura em si quer pelas trepadeiras que suporta). A sua sombra é particularmente fresca e agradável, devido à evapo-transpiração das plantas - uma qualidade inquestionável no nosso clima e que pode ainda ser enriquecida pela utilização de espécies com florações odoríferas.

Categoria: PARQUES E JARDINS

(146) DA NATUREZA NO ZIMBABWE

am.ma 17/06/2008 @ 17:38

MARAVILHAS DA NATUREZA NATURAL:

- As Cataratas de Vitória no Rio Zambeze (Victoria Falls ou, na designação local, Mosi-oa-Tunya), a maior cortina de água do planeta, com mais de 1700 metros de largura e mais de 100 metros de altura, inseridas em dois Parques Nacionais e classificadas pela UNESCO como Património Mundial Natural.

Cataratas de Vitória, Rio Zambeze - Zimbabwe

Gargantas das cataratas de Vitória, Rio Zambeze - Zimbabwe

Situadas no extremo Oeste do Zimbabwe, na fronteira com a Zâmbia (a ponte entre os dois Países vê-se na segunda fotografia), numa zona em que o Zambeze cai a pique numa série de gargantas apertadas, rasgadas pela água numa fractura do planalto basáltico.
Obs.: centenas de imagens no Google Earth.

- As espécies vegetais características.

Cacto arbóreo gigante, Manicaland - Zimbabwe

Um cacto arbóreo gigante, para cuja identificação não tenho a mínima pista. Ao fundo, à direita, observa-se ainda um embondeiro. Província de Manicaland.

- As Montanhas de Chimanimani (Chimanimani Mountains), maciço quartzítico no extremo Leste do Zimbabwe, ao longo da fronteira com Moçambique, a Sul de Mutare (ex-Umtali).

Ribeiro nas Montanhas de Chimanimani, Manicaland - Zimbabwe

Ribeiro de montanha no Parque Nacional de Chimanimani. Província de Manicaland.

.

TRAGÉDIAS DA NATUREZA (DES)HUMANA:

À medida que se aproxima a data das eleições (27 Junho próximo), o governo de Mugabe - que desconhece em absoluto os mais elementares Direitos Humanos - intensifica a sua campanha de intimidação e terror.

Da AVAAZ.ORG, deixo aqui um ALERTA...
On Monday this week, the offices of the Student Christian Movement of Zimbabwe were raided at 1pm by heavily armed members of the police, as well as central intelligence and military personnel. Prosper Munatsi, the Movement's General Secretary, as well as other members were arrested and then released, but had to report to the police every day. They were arrested for educating Christian students and youth about their rights and responsibilities in the face of a second round of presidential elections. Tell Mugabe's government to stop harrasing the Christian students and allow them to work and carry out their activities.

... e também um APELO:
I believe they were arrested and detained on Monday for no other crime than working towards a free and fair presidential election.
...send your message to Zimbabwean embassies and consulates throughout the world
.

ADITAMENTO: A ler, um artigo sintético e elucidativo sobre a situação que se vive actualmente no Zimbabwe - Alto diplomata da ONU chega a Harare (capital do Zimbabwe, ex-Salisbúria).

Categoria: POR MONTES E VALES

(121) UM RAMO DE ORQUÍDEAS . . .

am.ma 04/05/2008 @ 00:51

. . . UMA HOMENAGEM NO DIA DA MÃE.

Inflorescência de Orquídea num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Orquídea florida num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Flor de Orquídea num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Flor de Orquídea num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Terraço particular, princípio de Abril, Carcavelos - Cascais.

NOTA: Botanicamente, estes 'ramos' de flores são inflorescências.
Existem milhares de espécies de Orquídeas (Família Orquidaceae). Os números variam conforme os investigadores - de cerca de 17 mil a mais de 30 mil - por divergências de classificação, com base no facto de elas hibridarem entre si com uma facilidade estonteante.

Categoria: FLORA E VEGETAÇÃO

(103) MOSAICOS DE MILREU

am.ma 16/04/2008 @ 00:16

As Ruínas de Milreu (casa senhorial romana do século III) estão classificadas como Monumento Nacional e apresentam uma colecção de mosaicos interessantíssima e original, sobretudo pela representação da fauna marinha - em Estói, poucos quilómetros a Norte de Faro.

Mosaicos do peristilo nas ruínas romanas de Milreu, Faro - Algarve, Portugal

Mosaicos no pavimento do peristilo.

Mosaicos do frigidarium nas ruínas romanas de Milreu, Faro - Algarve, Portugal

Mosaicos na parede do frigidarium das termas.

Para ver também: postal sobre Mosaicos Polícromos em Conímbriga

Categoria: O PATRIMÓNIO

(98) COQUEIRO DE JARDIM EM FLOR

am.ma 10/04/2008 @ 22:44

As palmeiras que se observam no postal anterior, na Alameda dos Oceanos, são Coqueiros de Jardim (em Inglês, Queen Palm).

Floração de Syagrus romanzoffiana (Coqueiro de Jardim), Caldas da Rainha - Portugal

A floração do Coqueiro de Jardim ou Coqueiro de Santa Catarina, Syagrus romanzoffiana (Arecastrum romanzoffianum), família Palmae. Outubro, Caldas da Rainha.

Categoria: A ÁRVORE

(97) OS VULCÕES DE ÁGUA DA EXPO '98

am.ma 09/04/2008 @ 00:29

Surpresa e encanto - os Vulcões de Água constituíram uma das grandes atracções da Alameda dos Oceanos, há dez anos atrás, ao tempo da Expo '98.

Vulcão de água - Alameda dos Oceanos, Expo '98 - Lisboa, Portugal

Alameda dos Oceanos e vulcão de água - Expo '98 - Lisboa, Portugal

Alameda dos Oceanos, Expo '98 (actual Parque das Nações) - Lisboa.

NOTA: A ver também, uma bela colecção de fotografias de Dias dos Reis.

Categoria: A ÁGUA

(91) MUROS DE PEDRA

am.ma 03/04/2008 @ 18:15

Diferentes pedras, diferentes muros.

Muro de pedra em Sirmione - ItáliaMuro de pedra em Vicenza - Itália

Muro de pedra em Gouveia - PortugalMuro de pedra em Alcoutim - Portugal

Em cima, em Itália - à esquerda, Sirmione; à direita, Vicenza.
Em baixo, em Portugal - à esquerda, Gouveia; à direita, Alcoutim.

Categoria: QUADROS