Recentemente, fui alertada para esta questão por um postal no blogue Polegar Verde, a propósito dos perigos para a saúde de alguns plásticos normalmente utilizados no fabrico de garrafas de água. Este blogue, por sua vez, remete para um artigo de Vreni Gurd, uma canadiana profissional de saúde.
Pesquisando mais um pouco sobre este assunto, chega-se à conclusão de que estão a ser usados materiais perigosos para a nossa saúde em vários tipos de embalagens supostamente adequadas para alimentos! Assim:
De acordo com os materiais e os processos de fabrico, existem sete grandes tipos de embalagens plásticas, diferenciadas por códigos de reciclagem (numerados de 1 a 7) e siglas próprias. O código numérico aparece gravado no interior do símbolo de reciclagem.
Nalgumas embalagens, não consta o código numérico dentro do símbolo e, nas mais antigas (tipo caixas de plástico para frigorífico), não aparece sequer o símbolo de reciclagem - só consta a sigla do material de fabrico (ou nem isso). O significado destas siglas, bem como alguns dos respectivos usos em embalagens para alimentos, são os seguintes:
PET - Politereftalato de etileno, utilizado em garrafas, garrafões e frascos de águas e sumos.
PE-HD (ou HDPE ou, em Português, PEAD) - Polietileno de Alta Densidade, em garrafas e frascos de leite, sumos, iogurtes e águas, bem como sacos (como os de supermercado).
PVC - Policloreto de vinilo, mais conhecido por vinil, em garrafas e frascos de sumos e de condimentos.
PE-LD (ou LDPE ou, em Português, PEBD) - Polietileno de Baixa Densidade, em sacos de congelados e frascos de condimentos.
PP - Polipropileno, em caixas de cozinha, potes de iogurte, embalagens de transporte (para comida pronta, tipo take away), pratos e copos descartáveis.
PS - Poliestireno, em caixas de ovos e tabuleiros e embalagens descartáveis.
O - Outros (muitas vezes PC - Policarbonato - ou resina ABS - Acrilonitrila butadieno estireno), em garrafas de bebidas, biberões e tabuleiros descartáveis.
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O que acontece é que alguns dos materiais destas embalagens libertam partículas para os alimentos nelas contidos, o que é particularmente perigoso no caso de incluirem Bisfenol A (BPA) - composto químico que é um disruptor endócrino, presente em embalagens com os códigos 3 (PVC) e 7 (O). O perigo deste composto para a nossa saúde está bem explicado num artigo do portal Médicos de Portugal: mesmo em pequenas quantidades, o Bisfenol A pode provocar algumas doenças, incluindo cancro da mama, obesidade, aumento da próstata, diabetes, hiperactividade, alterações do sistema imunitário, infertilidade e puberdade precoce.
Portanto, não compre nem utilize para alimentos as embalagens com os códigos 3 (PVC) e 7 (O) - a não ser que tenham expressamente a referência SEM BISFENOL A, BISPHENOL A FREE, SEM BPA ou BPA FREE.
Por outro lado, as embalagens com o código 1 (PET), como é o caso generalizado das garrafas de água, não devem em circunstância alguma ser reutilizadas: é beber e descartar!
Assim, as embalagens de confiança para utilizar em alimentos são apenas as que têm os códigos 2 (PEAD), 4 (PEBD), 5 (PP) e 6 (PS) - até ver, digo eu...
Termino com uma recomendação de Vreni Gurd: Verifique os números de reciclagem em todos os recipientes de plástico alimentar e, progressivamente, passe a armazenar todos os alimentos em recipientes de vidro ou de cerâmica.
Categorias: QUADROS - Em PRETO e BRANCO.