O Loureiro, Laurus nobilis, da família Lauraceae, é uma árvore de folha persistente, espontânea em Portugal. O seu crescimento é lento, pelo que é mais frequente encontrá-lo na forma arbustiva.
Para além da sua utilização culinária, esta planta é apreciada como ornamental, pela folhagem aromática, persistente e verde-escura e pelo porte denso e compacto.
Espécie dióica, apresenta pés masculinos e pés femininos individualizados, que só se distinguem pela floração (as flores masculinas são mais amareladas e as femininas mais esverdeadas) e pela frutificação (apenas as plantas femininas produzem frutos).

Flores masculinas de Loureiro, Laurus nobilis, em meados de Fevereiro. Parede, Cascais.
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De acordo com J. Amaral Franco (Nova Flora de Portugal), o Loureiro pode atingir uma altura de 20 metros - o que equivale grosso modo a sete andares! - e é característico de matas, lugares sombrios e margens de cursos de água.
Nos Açores e na Madeira, é espontânea uma outra espécie de Loureiro - a Laurus azorica - característica da Laurissilva, floresta de Lauráceas. Por outro lado, na Laurissilva da Madeira, existe ainda o Loureiro-Real, mais conhecido como Vinhático ou Vinhático-das-Ilhas: Persea indica.
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À esquerda, detalhe de um ramo e das folhas de Loureiro, Laurus nobilis. À direita, outro aspecto das flores masculinas.
O pontilhado transparente que se observa nalgumas folhas corresponde às glândulas oleíferas, responsáveis pelo aroma característico da espécie.
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De origem circum-mediterrânica, o Loureiro é uma das plantas mais simbólicas do Mediterrâneo, pelo menos desde a Antiguidade Clássica, e uma das que se utilizam tradicionalmente (a par da Palmeira e da Oliveira) nas celebrações cristãs do Domingo de Ramos, no início da Semana Santa.
Por outro lado, a simbologia do Loureiro está associada a uma lenda da Mitologia clássica, a lenda de Apolo e Dafne (conforme Ovídio, n' As Metamorfoses), segundo a qual a ninfa Dafne foi transformada em Loureiro, para escapar ao assédio do deus Apolo. Por isso, Apolo - deus da música e das artes - passou a usar uma coroa de raminhos de Loureiro entrelaçados, em homenagem à ninfa. Aliás, em Grego arcaico, Dafne (δάφνη) significa exactamente Loureiro. Esta lenda inspirou uma famosa escultura barroca de Bernini, representando a metamorfose da ninfa - os pés transformam-se em raízes, as pernas em tronco, os braços e mãos em ramos e folhas...

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Sabe-se que a coroa de louros foi utilizada nos Jogos Olímpicos da Antiga Grécia, para premiar os atletas vencedores. O próprio termo laureado quer dizer, etimologicamente, coroado de louros.
Mais tarde, na Roma Antiga, os Imperadores usaram ainda a coroa de louros, em honra do deus Apolo e como símbolo de distinção e deificação.
Laurus nobilis, o Loureiro nobre, é também conhecido em França como o Loureiro de Apolo (Laurier d' Apollon).
Categoria: FLORA E VEGETAÇÃO