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(128) AS PONTES DE MADEIRA EM LUCERNA

am.ma 14/05/2008 @ 12:02

Sobre o Rio Reuss, afluente do Aar (que, por sua vez, é afluente do Reno) e efluente do Lago de Lucerna ou Lago dos Quatro Cantões, existem duas pontes medievais em madeira, cobertas, dos séculos XIV-XV, ambas com pinturas do século XVII integradas no travejamento do telhado: a Spreuerbrücke e a Kapellbrücke.

A Spreuerbrücke, ou Ponte dos Despejos (na Lucerna medieval era o único sítio da cidade onde era permitido lançar despejos ao rio), foi construída por volta de 1400 e inclui 67 pinturas representando a Dança da Morte, Totentanz, uma alusão às epidemias de peste tão temidas nas cidades medievais.

Interior da Spreuerbrücke (Ponte dos Despejos), Lucerna - Suiça

Aspecto do interior da Ponte dos Despejos.


A Kapellbrücke, ou Ponte da Capela, é um dos monumentos mais fotografados da Suiça. A ponte liga as duas margens do Rio à Wasserturm (Torre da Água), uma torre-fortificação do século XIII, de secção octogonal e cerca de 46 metros de altura.

Em tempos existiu uma ligação desta ponte à capela de um mosteiro beneditino, o que explica a origem do seu nome.
Foi construída na primeira metade do século XIV e apresenta uma sequência de pinturas alusivas à História da cidade.
Tanto a ponte como as pinturas foram parcialmente destruídas pelo fogo numa noite de Agosto de 1993, mas prontamente recuperadas e reconstituídas (no espaço de um ano!) - lamentavelmente, das 110 pinturas pré-existentes, só 25 puderam ser recuperadas.

Kapellbrücke (Ponte da Capela), Lucerna - Suiça

Kapellbrücke (Ponte da Capela) e Wasserturm (Torre da Água), Lucerna - Suiça

A Ponte da Capela e a Torre da Água.

NOTA: A ver, em Travel Photos of Galen Frysinger (cientista americano reformado), uma série muito completa de fotografias de Luzern Spreurer Bridge e Luzern Chapel Bridge.

Categoria: O PATRIMÓNIO

(121) UM RAMO DE ORQUÍDEAS . . .

am.ma 04/05/2008 @ 00:51

. . . UMA HOMENAGEM NO DIA DA MÃE.

Inflorescência de Orquídea num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Orquídea florida num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Flor de Orquídea num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Flor de Orquídea num terraço em Carcavelos, Cascais - Portugal

Terraço particular, princípio de Abril, Carcavelos - Cascais.

NOTA: Botanicamente, estes 'ramos' de flores são inflorescências.
Existem milhares de espécies de Orquídeas (Família Orquidaceae). Os números variam conforme os investigadores - de cerca de 17 mil a mais de 30 mil - por divergências de classificação, com base no facto de elas hibridarem entre si com uma facilidade estonteante.

Categoria: FLORA E VEGETAÇÃO

(98) COQUEIRO DE JARDIM EM FLOR

am.ma 10/04/2008 @ 22:44

As palmeiras que se observam no postal anterior, na Alameda dos Oceanos, são Coqueiros de Jardim (em Inglês, Queen Palm).

Floração de Syagrus romanzoffiana (Coqueiro de Jardim), Caldas da Rainha - Portugal

A floração do Coqueiro de Jardim ou Coqueiro de Santa Catarina, Syagrus romanzoffiana (Arecastrum romanzoffianum), família Palmae. Outubro, Caldas da Rainha.

Categoria: A ÁRVORE

(97) OS VULCÕES DE ÁGUA DA EXPO '98

am.ma 09/04/2008 @ 00:29

Surpresa e encanto - os Vulcões de Água constituíram uma das grandes atracções da Alameda dos Oceanos, há dez anos atrás, ao tempo da Expo '98.

Vulcão de água na Alameda dos Oceanos, Expo '98, Lisboa - Portugal

Alameda dos Oceanos e vulcão de água na Expo '98, Lisboa - Portugal

Alameda dos Oceanos, Expo '98 (actual Parque das Nações) - Lisboa.

NOTA: A ver também, uma bela colecção de fotografias de Dias dos Reis.

Categoria: A ÁGUA

(72) ARQUITECTURA PORTUGUESA VERNÁCULA

am.ma 11/03/2008 @ 11:11

Casa tradicional em Pitões das Júnias, Montalegre - Portugal

Aspecto característico da Arquitectura Popular Portuguesa: balcão numa casa tradicional em Pitões das Júnias, Montalegre.

... "em Pitões das Júnias ... sobressaem três tipos distintos da casa rústica, em que a mais simples não dispõe de mais do que uma loja, e a mais complexa não prescinde do pátio servido por ampla porta. O termo médio é o da casa com alpendre lateral [...].
Nas montanhas de granito encastelam-se os montes de pedra, de granito. Encastelam-se nas divisórias dos quinteiros, sobem em paredes de maior ou menor aprumo, alteiam-se em paraventos e indicam brutalmente contornos não macios, arestas e bicos apontados, a contrastar com as moles pendentes dos colmados. Contra a dureza crua da pedra, a que tudo parece rescender, acomodam-se onde em quando notas suaves das madeiras das velhas varandas, apagadas pelo tempo."

Octávio L. Figueiras et al, Arquitectura Popular em Portugal.

Categoria: A ARQUITECTURA

(60) O AZULEJO EM PORTUGAL

am.ma 01/03/2008 @ 20:50

Azulejo - do vocábulo árabe al Zulaicj, que evoluiu para aljulej.

Os primeiros revestimentos cerâmicos usados em Portugal nos séculos XV e XVI mostram a origem do gosto pelo azulejo: a requintada presença árabe na Península Ibérica.

[...] Em finais do século XV e na primeira do XVI, o azulejo passa a ser utilizado em grande quantidade no revestimento de paredes monumentais. [...] A estética neoclássica foi assimilada pelo azulejo português no final do século XVIII e permaneceu até cerca de 1830. As composições são polícromas e luminosas, com grande predominância de fundos amarelos e brancos sobre os quais se destacam urnas, cestos floridos, laçarias, festões e grinaldas pendentes, plumas, aves e mascarões.
[...] A partir de 1851 surgiram várias fábricas de cerâmica que produziram grande quantidade de azulejos de padrão, em tecnologia semi-industrial e industrial, e que foram aplicados em numerosas fachadas por todo o país até cerca de 1920, criando uma nova paisagem urbana em Portugal. Fonte: Portal do Museu Nacional do Azulejo

Fachada revestida a azulejos - Sintra, Portugal

Fachada revestida a azulejos, numa casa particular em Sintra.

Uma característica importante dos padrões de repetição [de azulejos] é o modo como as composições se organizam, evidenciando sempre (mais ou menos subtilmente) diagonais que constituem o contraponto das linhas verticais e horizontais, dominantes da arquitectura.
Rafael Salinas Calado, 5 Séculos do Azulejo em Portugal, 1985.

Pormenor de fachada revestida a azulejos - Sintra, Portugal

Pormenor de fachada revestida a azulejos - Sintra, Portugal

O azulejo é essencialmente um elemento animador da superfície, com propriedades de reflexão da luz, do calor e do som. [...]
Na maioria dos casos, não pode ser apreciado unitariamente, estando concebido para ser visto em conjuntos absolutamente integrados na arquitectura [...].
(idem, ibidem).

Categoria: O PATRIMÓNIO

(12) O ANO DO GOLFINHO

am.ma 12/01/2008 @ 12:47

ipyod_120x100.jpg- comemorou-se em 2007, mas foi prolongado por 2008.

Desde o tempo de Aristóteles que os golfinhos fascinam os homens. Representam, para muitos, o coração e a alma da Terra.
[...]
Há mais de vinte anos, os roazes-corvineiros eram vistos habitualmente por viajantes que atravessavam o Rio Tejo de e para Lisboa. Com o passar dos anos e com o aumento da utilização e poluição destas águas, os golfinhos desapareceram.
[...]
Os últimos golfinhos de habitação costeira que existem em Portugal passam uma parte substancial do seu tempo no estuário do Sado e suas redondezas.
Stefan Harzen e Barbara Brunnick, O Roaz-corvineiro do Estuário do Sado, Portugal, 1995.

Roazes-corvineiros no estuário do Sado - Setúbal, Portugal

Roaz-corvineiro em salto, no estuário do Sado - Setúbal, Portugal

O roaz-corvineiro do Sado (Tursiops truncatus), observado numa visita ao estuário, a bordo do Hiate de Setúbal.

O Hiate de Setúbal é uma réplica fiel das embarcações típicas deste rio (hiates) e foi construído pelo Clube Naval Setubalense (1993-94); representou Setúbal na Expo'98 e tem participado em encontros internacionais de embarcações tradicionais - ver fotografia «de corpo inteiro».

A Reserva Natural do Estuário do Sado foi criada em 1980. Integra - desde 1996 - a Lista de Sítios da Convenção de Ramsar (Zonas Húmidas de Importância Internacional) e - desde 1997/99 - a Rede Natura 2000 (como Sítio de Importância Comunitária e Zona de Protecção Especial).

O «Hiate de Setúbal» atracado em Setúbal - PortugalRoazes-corvineiros no estuário do Sado - Setúbal, Portugal

A ameaça mais devastadora para os golfinhos do Sado é a poluição ambiental.[...]
Independentemente de se tratar de lixo de origem comercial ou particular, de descargas de produtos químicos, de altas temperaturas, de grande ruído, de pesticidas ou gases tóxicos, tudo isto é poluição. [...]
As ameaças ao estuário do Sado são muito graves e merecem uma atenção imediata. Os golfinhos não são os únicos que estão em risco.
(idem, ibidem)

Roazes-corvineiros no estuário do Sado - Setúbal, Portugal

A Agência Europeia do Ambiente, no seu quarto relatório de avaliação sobre O Ambiente e a Europa (Belgrado, Outubro 2007 - o primeiro relatório sobre este tema data de 1995), no capítulo 5, Marine and Coastal Environment, considera que The overall picture in 2007 has hardly changed from that in 1995.

E não deixa de ser estranho que, no portal do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, no separador «Reserva Natural Estuário do Sado», não haja uma única referência à comunidade de golfinhos!

Actualização a 21 Maio 2008 - este postal incluia originalmente uma ligação ao Portal da Câmara Municipal de Setúbal, à página de caracterização da comunidade de golfinhos roazes do Sado:
http://www.mun-setubal.pt/Municipio/Pessoas/Retratos_cidade/retratos18.asp
Esta página agora já não existe.

Categoria: O LITORAL

SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES

am.ma 12/06/0000 @ 00:00

IV

Antes, porém que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, proeversisque cupiditatibus facti sunt, sicut piscis invicem se devorantes: «Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros». Tão alheia cousa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que, sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens.

Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá: para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas; vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer, e como se hão-de comer. Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os acredores; comem-no os oficiais dos órfãos, e os dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.

Já se os homens se comeram somente depois de mortos, parece que era menos horror e menos matéria de sentimento. Mas para que conheçais a que chega a vossa crueldade, considerai, peixes, que também os homens se comem vivos assim como vós. Vivo estava Job, quando dizia: Quare persequimini me, et carnibus meis saturamini? (Job, XIX-22): «Porque me perseguis tão desumanamente, vós, que me estais comendo vivo e fartando-vos da minha carne?» Quereis ver um Job destes?

Vede um homem desses que andam perseguidos de pleitos ou acusados de crimes, e olhai quantos o estão comendo. Come-o o meirinho, come-o o carcereiro, come-o o escrivão, come-o o solicitador, come-o o advogado, come-o o inquiridor, come-o a testemunha, come-o o julgador, e ainda não está sentenciado, já está comido. São piores os homens que os corvos. O triste que foi à forca, não o comem os corvos senão depois de executado e morto; e o que anda em juízo, ainda não está sentenciado nem executado, e já está comido.

E para que vejais como estes comidos na terra são os pequenos, e pelos mesmos modos com que vós comeis no mar, ouvi a Deus queixando-se deste pecado: Nonne cognoscent omnes, qui operantur iniquitatem, qui devorant plebem meam, ut cibum panis (Salmo XIII-4). Cuidais, diz Deus, que não há-de vir tempo em que conheçam e paguem o seu merecido aqueles que cometem a maldade? E que maldade é esta, à qual Deus singularmente chama a maldade, como se não houvera outra no mundo? E quem são aqueles que a cometem? A maldade é comerem-se os homens uns aos outros, e os que a cometem são os maiores que comem os pequenos: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis.

Nestas palavras, pelo que vos toca, importa, peixes, que advirtais muito outras tantas cousas, quantas são as mesmas palavras. Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe! Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, ou poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo os devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros comeres, é que para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se come; e isto é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis.

Parece-vos bem isto, peixes? [...]

Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes - IV (proferido em 1654 em S. Luís do Maranhão - Brasil).

[Citado no postal VÉSPERA DE SANTO ANTÓNIO, 12 Junho 2008 - Categoria Outras Imagens].