Um corte abrupto quase vertical, rasgão aberto no Maciço Calcário Estremenho pelo traçado da Auto-estrada do Norte, sem qualquer respeito pelos valores paisagísticos e naturais - actualmente, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e no mesmo sítio onde, há uns anos atrás, tirei a fotografia do postal PAISAGEM FERIDA.
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A estrada cortou a Serra de Aire ao meio (ver o mapa abaixo) e aqui, no alto da subida, pode constatar-se o efeito dos fumos, gases e partículas emitidos pelos escapes automóveis - os mesmos que nós andamos a respirar nas nossas cidades...
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Maciço calcário da Serra de Aire, Auto-estrada do Norte.
As bancadas calcárias, cuja cor original varia entre os tons esbranquiçados e amarelados, apresentam-se agora cinzentas a negras (com os tons mais escuros nas camadas inferiores, mais próximas do nível da estrada).
Um exemplo de POLUIÇÃO NEGRA - literalmente.
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Mapa esquemático da área do Parque Natural, num folheto de divulgação (início da década de 1980) da responsabilidade do então Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico - actual ICNB, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
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Vem a propósito relembrar porque é que esta região foi protegida com o estatuto de Parque Natural:
As serras de Aire e Candeeiros são o mais importante repositório das formações calcárias existente em Portugal e esta é a razão primeira da sua classificação (Decreto-Lei nº 118/79, de 4 de Maio) como Parque Natural. Morfologia cársica, natureza do coberto vegetal, a rede de cursos de água subterrâneos, uma fauna específica, nomeadamente cavernícola, e intensa actividade no domínio da extracção da pedra são outros tantos aspectos que o diploma classificatório tenta preservar e disciplinar.
Acontece que o Plano de Ordenamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros está actualmente, e pela segunda vez, em fase de discussão pública - até dia 20 deste mês (Novembro 2009).
Depois da primeira discussão pública, entre Março e Maio de 2007, não se percebe a razão de ser desta nova revisão do Plano. Ou melhor, até se percebe, depois de se saber que a apreciação da Secretaria de Estado do Ambiente conduziu a profundas alterações na versão de 2007, nomeadamente a redução concertada com o ICNB, I.P., de 9 para 4 áreas de protecção e com a ampliação da área de intervenção específica da indústria extractiva [ainda por cima, isto está tão mal escrito!].
Sabendo das dificuldades, dos obstáculos e das peripécias por que passaram os técnicos deste Parque Natural (há vinte - vinte e cinco anos atrás), para disciplinar minimamente a extracção de pedra na sua área, estranha-se muito este volte-face nas políticas do Ministério do Ambiente, em termos de gestão das Áreas Protegidas (e não só)!
A protecção da Natureza e as preocupações ambientais ficam muito bem nos discursos de circunstância, nas campanhas eleitorais, nas inaugurações e nas conferências.
Mas, na prática, o que realmente se constata é que esta política ambiental está a destruir sistematicamente o pouco que já se tinha conseguido construir.
E provavelmente o objectivo é conseguir que a Conservação da Natureza - PRIMEIRO, encha os cofres do Estado (pela mesma ordem de ideias de quem quer por força que a Saúde - por exemplo - dê lucro...) e - SEGUNDO, se sobrar tempo e disponibilidade, proteja umas ervas e uns passarinhos que andam lá pelos campos...
Depois, um dia destes, a que foi PAISAGEM FERIDA - e agora é PAISAGEM FERIDA E POLUÍDA - será apenas mais uma PAISAGEM FERIDA, POLUÍDA E DESTRUÍDA!
Ver também outros postais relacionados: O MAR DE MIRA-MINDE e A NASCENTE E A GRUTA DO ALMONDA.
Categoria: POR MONTES E VALES